Intercâmbio – entenda tudo que você precisa saber para arrumar as malas

 

Toda primeira semana do mês recebo um convidado especial na minha página para dividir seus conhecimentos. No mês de Outubro recebo o Felipe Levi para falar sobre Intercâmbio – entenda tudo que você precisa saber para arrumar as malas.

Fiquei muito feliz com esta sugestão de tema vindo por um dos meus seguidores. Algumas pessoas têm me procurado com esta meta a ser trabalhada no Coaching, então espero que com a entrevista abaixo você comece seu planejamento para conquistar esta meta.

 

Como se planejar para um intercâmbio

 

  • Quais motivos levaram você a optar por fazer o intercâmbio?

Por volta dos meus 10 anos, minha mãe resolveu morar nos Estados Unidos, na cidade de Miami, e tive a experiência de viver como um americano nativo. Estudei nas escolas públicas americanas e durante 3 anos isso mudou e muito minha vida. Desde então, tive a vontade de retornar a morar fora, mesmo que por um período similar ao anterior ou quem sabe até mais.

 

  • Como foi a escolha para onde ir?

Meu primeiro foco era nos EUA, porém como queria ter a possibilidade de trabalhar em conjunto com meus estudos, tive que descartar de cara esta opção. Pesquisei Europa, Australia e até a Nova Zelândia. O fator decisivo pela escolha do Canadá foi eu poder estudar e trabalhar, além da possibilidade de minha esposa, que veio comigo, também ter a permissão de trabalho.

 

  • Por que Vancouver?

A opção por Vancouver foi baseado no clima, que é um frio bem mais ameno. Brinco com os canadenses daqui que Vancouver é os “ trópicos do Canadá” e eles riem concordando. Dificilmente neva, a não ser na parte norte e nas montanhas e estações de esqui.

 

  • Como é a mobilidade na cidade?

Vancouver tem uma mobilidade urbana fantástica, considerada por anos seguidos umas das 5 melhores cidade do mundo com a melhor qualidade de vida. Sua beleza natural é de tirar o fôlego e existe o privilégio de ter 3 pistas de esqui a 40min de transporte público. Além de poder estar a menos de 2h de carro numa das melhores estações de esqui da América do Norte, na cidade de Whistler.

No verão, existem trilhas e mais trilhas gratuitas, parques aos montes, segurança, organização, enfim, pelo conjunto da obra, não tinha como não escolher aqui, sem contar com as muitas ofertas de trabalho em diversas áreas.

 

  • Quais as maiores dificuldades que você teve ao se deparar com uma cultura totalmente diferente da sua?

Primeiro, penso que temos que estar com a cabeça aberta para o novo. Sempre viajei a trabalho durante a minha a carreira, então essa dificuldade foi bem amenizada. Aqui, como em Toronto, a cultura chinesa é bem forte por conta da presença maciça de chineses. Isso me surpreendeu, pois no Brasil não fazemos a menor idéia que no Canadá há tantos chineses.

Organização, segurança e pontualidade são outros itens que são muito diferentes. Estar 1 minuto atrasado é atraso mesmo, e isso tem que se acostumar rápido. Com 1 minuto de atraso você pode perder o ônibus, uma vez que todo o transporte é interligado e tem hora para estar em cada ponto de ônibus. Aliás, uma das coisas que mais gostei é, que via app ou uma mensagem de texto, você sabe quando o ônibus passará no ponto de ônibus que deseja.

 

  • Do que você sente falta?

Comida e amigos são duas coisas que mais sentimos falta, mas estamos aqui pra conhecer e aprender sobre novas culturas e fazer novas amizades, certo? Na gastronomia, recomendo a quem vem provar o prato típico deles, o Poutine, batata frita num molho de carne e queijo. Bacon, os daqui são mais suculentos que os do vizinho.

 

  • Quais aprendizados do Intercâmbio você leva para a sua carreira profissional?

Organização, pontualidade, respeito pelas diferenças – sejam elas culturais, de crença ou de país – a língua, a forma de se vestir, orientação sexual, entre muitos outros. Há uma gama de itens que poderia citar aqui, mas certamente o que sente falta no Brasil, aqui você encontra.

Nada, nem nenhum lugar é perfeito, porém quando você se depara com estes itens citados acima, você começa a valorizar ainda mais o senso de comunidade. O choque maior, creio eu, será no retorno, principalmente com a questão de segurança e do direito de ir vir.

 

  • Qual é a facilidade de trabalho no exterior?

Facilidade não diria que seja o melhor termo, mas se busca colocação para se inserir rapidamente fora do seu país não pode ter preconceito em arregaçar as mangas. Recomendo trabalhar num restaurante, seja de garçon ou lavador de pratos ou na cozinha, em um Starbucks ou Mc Donalds, Hotel ou até mesmo com construção.

Aqui em Vancouver não faltam empregos nestas áreas. Em cada esquina há uma placa de contrata-se e rapidamente você começa a trabalhar. Dificilmente você terá a mesma posição do Brasil rapidamente. Todavia, áreas como TI, culinária, hospitality, programação e cinema estão muito em alta aqui em Vancouver.

 

  • Como deve ser o planejamento para alguém que quer um intercâmbio acima de 6 meses?

Planejar é a chave para que tudo ocorra tranquilamente. Levantar os custos totais de um intercâmbio mais longo é essencial para não ter surpresas desagradáveis e, o que seria uma experiência maravilhosa, se tornar um pesadelo.

Os custos que envolvem um intercâmbio acima de 6 meses são bem diferentes. Além do investimento no curso, vistos e passagem aérea, inclui-se moradia, alimentação, plano de saúde, telefonia, etc. Lembre-se que será sua residência por um período mínimo de 6 meses, logo sua rotina será em uma realidade cotidiana do país que você escolher.

Por outro lado, há a vantagem de incluir o ganho com o trabalho que você conseguir no exterior, para ajudar a custear sua vida em outro país, porém, não se deve contar com isso na etapa de planejamento.

 

  • Tem idade máxima para fazer um intercâmbio?

Acredito que para adquirir conhecimento e novas experiências nunca é tarde, seja para um adolescente de 16 anos ou para alguém da geração da melhor idade. Cada vez mais, pessoas acima de 50, 60 anos tem realizado intercâmbio para aprender uma nova língua e, principalmente, ter contato com pessoas mais novas e com ideias e culturas diferentes. Tenha uma cabeça aberta ao novo, pois nunca é tarde para aprender e viver!

 

  • 5 dicas para quem tem dúvidas sobre qual tipo de intercâmbio fazer

1 – Avaliar qual sua deficiência e focar no aprimoramento, como por exemplo aprender ou melhorar algum idioma.

2 – Definir o local onde quer realizar é muito importante, afinal é sua “casa por alguns meses” e escolher bem é fundamental para não se arrepender depois.

3 – Pesquise, pesquise, pesquise. Saiba se a escola que você optou tem boas referências por exemplo, fale com ex-alunos, se possível.

4 – Não tenha medo do novo e esteja com a mente aberta para tudo. Comida, trabalho, amizades, diferenças culturais e religiosas. Afinal, é uma experiência única e transformadora.

5 – Foco e determinação. Estudar inglês no Brasil e em um intercâmbio é muito diferente, logo, esteja preparado para estudar 40h por semana, mais diversas horas com tarefas para realizar em casa e entregar no dia seguinte. É cansativo sim, e você vai querer desistir após completar a segunda semana de estudos.

Realizar uma pós-graduação não é diferente de estudar inglês. Pelo contrário, há mais tarefas para realizar em casa do que na sala de aula, e o professor é um mero facilitador do curso. Logo não espere que ele seja “sua babá”. Há trabalhos que deverão ser entregues no 1º dia de aula, então é preciso estar atento aos comunicados feitos pelo e-mail da faculdade.

No mais, não desista. No final, você terá um imenso orgulho do que conquistou ao longo do curso e verá que você não é mais o mesmo de quando iniciou essa jornada.

Sobre Felipe Levi

Formando em Marketing pela UniverCIdade e terminando especialização em Applied Web Development na British Columbia Institute of Technology, o Felipe tem mais de 10 anos de experiência em Marketing, Vendas e Eventos. Foi gerente da Society of Petroleum Engineers – SPE onde coordenou projetos como congressos internacionais e Brasil Offshore. Atualmente reside em Vancouver, Canadá onde fundou a agência Estude no Canadá Intercâmbio e a start-up de cursos de curta duração, a Time4Learn Academy.

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