Seu desenvolvimento depende de uma formação acadêmica?

Percebo que a cada ano parece ser mais primordial a coleção de títulos no currículo, não é mesmo? No passado graduação era um diferencial, depois a pós-graduação se tornou um diferencial e agora o diferencial está no mestrado. Mas será mesmo que seu desenvolvimento depende de uma formação acadêmica?

Para falar sobre este assunto, bati um papo muito legal com o Ricardo Teotonio, Coordenador de MBA’s do Núcleo de Negócios da Universidade Veiga de Almeida, nosso convidado especial da semana, sobre desenvolvimento contínuo e educação.

Confira abaixo a nossa conversa e, para acessar todas as dicas do Ricardo sobre desenvolvimento, acesse nossa página no Facebook.

 

Seu desenvolvimento profissional e formação acadêmica

Lilian Cidreira: Quais obstáculos uma pessoa que quer se aperfeiçoar enfrenta nos dias de hoje?

Ricardo Teotonio: O maior obstáculo, muitas vezes, é a própria pessoa. O aperfeiçoamento profissional deve partir do interesse pessoal. O argumento de que se aperfeiçoar custa caro nem sempre é verdadeiro. Logicamente, quanto menos condições financeiras para acessar fontes mais eficientes, mais dificuldade o profissional terá e mais criativo ele precisará ser, mas as informações estão por aí, em todo lugar, e a todo momento.

O interesse deve partir das pessoas, sem desculpas. Há inúmeras oportunidades de aprender com excelentes profissionais, em eventos como palestras e seminários a custos simbólicos e até mesmo gratuitos. Esse é um caminho para aprender, se aperfeiçoar e criar círculos profissionais.

L.C.: Para o mercado ter o diploma de graduação parece não ser mais o suficiente. Qual é o momento ideal para começar um MBA?

R.T.: Uma titulação no currículo já não significa tanto. As pessoas tem cada vez mais facilidade de acesso à graduação. O diferencial estará no nível de comprometimento, maturidade e (boa) ambição. Emendar uma especialização logo após a graduação pode gerar frustração e/ou desmotivação (e perda de tempo/recursos) caso o aluno não esteja certo do que realmente deseja. Não deve haver empolgação nesse momento.

O ideal é que desde a graduação o aluno já tenha contato com o mercado que oferece oportunidades em sua área de atuação e após alguma experiência de vivência (estágio, apoio, monitoria, palestras, seminários, etc), aí sim poderá enxergar melhor qual caminho de especialização tomar. O momento certo será percebido. Alertando que é necessário estar sempre se atualizando e se especializando.

L.C. – Como escolher o melhor curso de MBA, ou seja, o curso que vai ter mais relação com o trabalho projeção para o currículo?

R.T.: Conforme citado anteriormente, uma experiência inicial é o ideal para sentir por qual área de atuação (mesmo dentro de um mesmo segmento) a pessoa se sentirá mais atraída. Caso prefira, o aluno/profissional poderá optar por cursos de especialização mais genéricos, e que melhorarão suas habilidades profissionais com o um todo (como Gestão Empresarial, Gestão de Projetos, etc), visto que são cursos aplicáveis em qualquer segmento, isso certamente agregará muito valor ao currículo profissional.

Para uma maior projeção em sua área específica de atuação, aí sim, pode-se escolher um curso mais específico (como Enfermagem, Segurança do Trabalho, Recursos Humanos, etc). O importante é que, independentemente de sua área de atuação, o profissional tenha alguma variedade de conhecimento. Isso sim, agrega valor e diferencial na leitura de um currículo.

L.C. – Quais são os diferenciais do MBA atualmente?

R.T.: Diferentemente dos antigos cursos lato sensu, mais teóricos e filosóficos, a pós graduação, ou especialização, vem cada vez mais tomando formas dinâmicas e de aplicabilidade imediata. Há cerca de 15 anos, no início do novo milênio, começaram a tomar força (tendo começado a surgir em meados dos anos 90), num modismo de imitação dos modelos americanos, os MBA (Master of Business Administration, ou Mestrado em Administração de Negócios).

Na verdade, no Brasil os MBA não emitem certificação em Stricto Sensu(Mestrado) como nos EUA e Europa, mas sim de Lato Sensu, como curso de especialização (pós-graduação). Lá de fora só herdamos mesmo o formato, de um curso executivo, mais dinâmico, e voltado para profissionais em sua maioria com experiência no mercado de trabalho. Esses cursos, tem corpo docente formado, em sua maioria, por profissionais de mercado, que trazem para a sala de aula estudos de casos reais e compartilham sua própria vivência no mercado de trabalho.

O MEC vem cada vez mais atuando no sentido de melhorar a qualidade dos MBA brasileiros, visto a enorme quantidade de cursos que surgiram nos anos 2000. Recentemente definiu que apenas IES (Instituições de Ensino Superior) podem ministrar cursos de MBA, em segmentos onde também possuam cursos de graduação.

L.C. – Qual é a sua dica para quem quer se destacar no mercado de trabalho?

R.T.: Titulação, embora importante, não garante mais uma boa posição no mercado de trabalho. O currículo pode ser um excelente cartão de visita, mas se o candidato não for convincente o suficiente para demonstrar experiência e conhecimento, pode ser deixado pra trás.

Cursar um MBA para receber apenas o certificado pode ser pura perda de tempo. É necessário dedicação, interesse, pesquisa nos tempos entre as aulas, interação com o professor dentro e fora de sala de aula. Mais que investir em sua evolução na empresa onde trabalhe, é importante saber que se trata de um investimento pessoal, que o aluno/profissional vai levar para a vida.

É necessário “sair da caixinha” e perceber que você é um profissional que precisa cada vez mais adquirir conhecimento e experiência. Não para sua empresa, mas para você. Imagine que você é um consultor na sua área de atuação, que está neste momento prestando seus serviços e conhecimento na empresa onde está alocado, e amanhã poderá estar em outra.

O conceito de “emprego” está mudando. Cada vez mais, menos pessoas iniciam e terminam sua vida laboral em uma única empresa. Diversifique seu conhecimento, leia, discuta, faça redes profissionais em diversos segmentos. Ensine em algumas, aprenda em outras. Troque ideias, inove. Com essas dicas, você terá sempre seu perfil visitado nas redes sociais e será sempre requisitado, e nunca se verá na situação de precisar colocar em seu perfil de apresentação a frase “em busca de recolocação”.

Aliás, por mais que esteja nessa situação, não faça isso! Não “panflete” seus currículos. Demonstre suas especialidades, e faça contatos “cirúrgicos”. No mais, boa sorte!

Sobre Ricardo Teotônio

Com formação acadêmica na Área de Sistemas, Administração Pública pela FGV e Certificação em Ouvidoria pela ADEVAL e mais de 20 anos de experiência corporativa em Instituições Financeiras, e de Previdência Complementar, atuando diretamente na Governança Corporativa com a gestão de riscos, processos e controles internos, criação de área e estrutura de controles internos e organização de estrutura formal e documental. 
Foi o responsável pela criação e administração dos controles e compliance de investimentos, controladoria e back-office para as instituições onde atuou. Possui também experiência de Governança na Gestão de diretrizes ESG/Sustentabilidade.

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